quarta-feira, 29 de abril de 2015

O núcleo das relações interpessoais

Para Winnicot a mãe suficientemente boa é uma que efetua uma adaptação boa às necessidades do bebê, isso proporciona na criança a capacidade de se adaptar e tolerar frustrações. Se a mãe é apenas suficientemente boa e não perfeita, a criança constrói uma ideia verídica de si mesma, essa ideia verídica de si mesmo se origina do potencial inato da criança de demonstrar seus gestos espontâneos e na forma que a mãe responde à esses gestos. Para Melanie Klein, a criança só constrói uma ideia completa da mãe após destruir e dividir a figura materna, ela entra em um devaneio depressivo de culpa por sentir sentimentos ruins pela mãe, e é a partir desse devaneio que consegue configurar a figura da mãe em um ser completo (com virtudes e defeitos). É isso que dará à ela a base para os relacionamentos futuros, pois a relação interparental é o que ira construir a concepção de relacionamento para a criança.  Cria-se então a noção de que o "nosso céu e inferno não podem ser separados um do outro", pois a agressividade e o amor são forças organizadoras da psique.
"Uma criança ou adulto ira agressivamente cindir o mundo a fim de rejeitar o que odeia e manter o que deseja. Portanto o primeiro organizador da psique é um processo de dividir uma pessoa importante em objetos "bons" e "maus". Contrastando com esse processo de cisão destrutiva, existe outro processo organizacional, o qual incorpora objetos bons e maus para formar uma pessoa inteira. Observa-se que a criança rancorosa com a mãe (pelo menos em fantasia) irá com o tempo reparar o dano."
"Se profundamente em nossas mentes inconscientes tivermos nos tornado capazes de, de certa maneira, livrar nossos sentimentos por nossos pais de ressentimentos, e os perdoarmos pelas frustrações que tivemos que suportar, então podemos estar em paz com nós mesmos e somos capazes de amar outras pessoas no verdadeiro sentido da palavra."

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